Por
Marcelo Miguel
Dalton
Trevisan na memorável obra o "Vampiro e a Polaquinha",
já dizia: "Senhor livra-me dos chatos".
No entanto, hoje, avaliando um pouco melhor o processo de organização
e o planejamento de projetos culturais, venho insistindo na importância
de se ter amigos chatos próximos a nós.
Sim, pois como produtores e gestores de projetos culturais, cada
vez mais devemos nos habituar e melhorar nosso processo de planejamento
para que nossas ações obtenham os melhores resultados
e sejamos cada vez mais eficientes na realização
de nossas ações.
Artistas e produtores não têm essa intimidade toda
com o planejamento e isto já é bem conhecido por
todos. Com raras exceções, de forma geral, os produtores
culturais simplesmente fazem e realizam seus projetos. Planejamento
não é uma palavra que se encontra com frequência
no vocabulário destes produtores. Quando muito, alguns
se limitam a preencher formulários de lei de incentivo
e a anexar documentos para tentar conquistar um incentivo ou outro
apoio qualquer. Planejar, planejar, não é o comum.
Fazer sim, e às vezes fazer de qualquer jeito.
Por isso, tenho sempre insistido com os alunos do curso de Gestão
Cultural: PLANEJAMENTO É FUNDAMENTAL PARA O SUCESSO DE
QUALQUER PROJETO. NÃO IMPORTA SUA DIMENSÃO, NÃO
IMPORTA SUA ÁREA OU SEGMENTO.
Pois bem. Mas antes que este texto fique muito chato, eu mesmo
pergunto, o que isso tudo tem a ver com os nossos "amigos
chatos"?
Não podemos esquecer que no desenvolvimento de planejamento
de um projeto cultural, trabalhamos com uma série de variáveis
e de elementos que nos colocam a prova: Os chamados imprevistos.
Todo projeto tem o seu. Alguns com mais outros com menos frequência.
Mas todo o projeto em determinado momento vai se deparar com imprevistos
e situações que exigirão dos seus administradores
uma tomada de decisão rápida ou alternativas eficientes.
Nestas horas o planejamento é sempre muito importante,
pois um bom planejamento deve sempre estar preparado para estas
variáveis, para estes imprevistos. E é aí
que entra nossos amigos chatos. Toda vez que alguém for
pensar no seu projeto, é importante que ele procure identificar
tudo aquilo que pode dar errado no desenvolvimento do projeto.
Deve-se pensar em todas as catástrofes e todas as situações
desagradáveis e negativas que podem ocorrer.
Quanto mais se conseguir identificar os "prováveis"
problemas a serem enfrentados, mais chances o produtor terá
para de solucioná-lo. Desta forma cada vez mais ele estará
preparado para superá-lo. O chato nessa hora é fundamental.
Em meio ao processo de planejamento do seu projeto, sente-se com
seu amigo chato (o mais chato de preferência) e converse
com ele a respeito do seu projeto. Pense em tudo aquilo que pode
dar errado e procure depois que o chato for embora, buscar alternativas
para não ser pego desprevenido. Um chato é peça
fundamental no processo de planejamento.
Todo produtor cultural deve ter um amigo chato para auxiliá-lo
nestas horas, pois melhor do que ninguém um chato lhe dirá
tudo o que pode dar certo ou errado no seu projeto. Geralmente
ele irá apontar sempre o que pode dar errado. Cabe a você
como gestor, ser mais chato e tomar as providências para
que isso nunca ocorra. Tenha assim sempre o famoso plano B na
manga.
Todo bom projeto, para ser pensado e avaliado, precisa sempre
ter um bom chato por perto, além dos produtores é
claro.