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Bloqueio
de rodovias no sudoeste fizeram parte das manifestações
Fonte: Site Jornale
Texto: Pedro Rodrigues Neto
Cerca de 800 índios de pelo menos seis aldeias do Paraná
(Inácio Martins, Guarapuava, Nova Laranjeiras, Manoel Ribas,
Mangueirinha e Chopinzinho) fecharam o final do trecho da BR 158
e o início da BR-373 na altura entre os municípios
de Mangueirinha e Chopinzinho no início da tarde de terça-feira.
Os índios, da tribo Kaingang,protestam contra o fechamento
dos quatro escritórios regionais da Funai (Fundação
Nacional do Índio) no Paraná. Os escritórios
fechados estão localizados nas cidades de Guarapuava, Londrina,
Paranaguá e Curitiba.
O encerramento das atividades, segundo o governo federal, aconteceu
após o presidente Lula assinar um decreto autorizando medidas
de reestruturação do órgão, que além
das três agencias do Paraná, fechou outras 21 regionais
Brasil a fora. No total, até a data do decreto, o órgão
contava com 50 escritórios em todo o Brasil, com a nova estrutura
passa a contar com apenas 26.
Para a região sul do Brasil, o decreto prevê a abertura
de uma regional da Funai em Florianópolis, capital de Santa
Catarina. As lideranças indígenas do estado do Paraná,
que representam as 40 aldeias existentes no estado, não aceitaram
a imposição e aderiram ao protesto que aconteceu simultaneamente
em todo o país. Em Brasília, cerca de 500 índios
fecharam a sede da Funai, em Brasília.
João Carlos Mader, líder indígena da aldeia
Kaingang, de Mangueirinha, e coordenador do movimento na região
sudoeste do estado, disse a reportagem do Diário que a comunidade
indígena recebeu o decreto com um afronte a liberdade dos
povos indígenas. "Ao assinar o decreto o presidente
Lula feriu a Constituição Federal que nos dá
o direito de debater toda e qualquer ação referente
aos povos indígenas", garantiu.
Segundo ele as manifestações devem continuar durante
o dia de hoje e também amanhã, quando uma comissão
composta por índios de todo o Brasil será recebida
pelo presidente Lula. "Somente depois desta reunião
é que saberemos se os protestos serão mantidos. Tudo
depende do que a comissão irá conseguir em Brasília,
queremos que o presidente Lula volte atrás de sua decisão",
declarou a liderança.
No início da noite a pista foi liberada, após cinco
horas de protesto. A polícia rodoviária federal deu
apoio durante toda a tarde a motoristas e manifestantes. Hoje, a
previsão é de que a BR-158 tem o transito bloqueado
nos dois sentidos a partir das 14h. "A previsão de liberação
da pista é às 19h, amanhã fechamos novamente
às 14h e encerramos às 19h. Se não houver um
acordo, a ordem do Cacique é para fechar a BR por tempo indeterminado",
avisou João Carlos. O coordenador do movimento informa ainda
que para hoje os manifestantes esperam a chegada de mais 40 lideranças
indígenas vindas do norte do estado.
Os índios reclamam que o fechamento das agencias no estados
e a centralização do atendimento por regiões
(norte, sul e assim por diante) só irá dificultar
a prestação de serviços a comunidade indígena.
A Funai é o órgão responsável pela oferta
de serviços sociais e pela emissão de documentação
aos índios.
Nesse caso, para os cerca de 20 mil índios que vivem em aldeias
no Paraná, o simples ato de solicitar a emissão de
uma carteira de identidade irá representar uma viagem de
mais de 800 km, dependendo da localização. Para os
mais de três mil índios que vivem na aldeia de Mangueirinha
a viagem pode ser um pouco mais longa, ao em torno de mil quilômetros.
"É uma incoerência do presidente Lula. O Paraná
é um estado que conta com 40 terras indígenas (aldeias)
enquanto Santa Catarina tem somente cinco. Não vamos aceitar
uma imposição dessas. Nossa condição
para encerrar as manifestações é de que pelo
menos um escritório regional seja mantido em funcionamento
no Paraná", concluiu o líder João Carlos.
Para as aldeias existentes no estado de Santa Catarina a centralização
do atendimento em Florianópolis também não
é o melhor caminho, se foram analisadas as condições
de deslocamento. Uma das cinco aldeias, por exemplo, está
localizada em Chapecó, município que fica a mais de
600km da capital catarinense.
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