Com
a aproximação das eleições para os governos
estaduais, estamos mais uma vez diante de uma grande oportunidade
de consolidar alguns instrumentos de construção de
políticas públicas para o segmento da cultura.
É que com estas mudanças dos dirigentes nos Estados
temos agora a oportunidade não só de debater propostas
de governo para todas as áreas como também para a
cultura, mas temos principalmente a grande oportunidade de iniciar
esse processo de implementação do Sistema Estadual
de Cultura, da mesma forma e no compasso do Sistema Nacional de
Cultura que está sendo construído e deverá
ter seu início legal com a aprovação do PLANO
NACIONAL DE CULTURA, que nada mais do que o marco legal do SNC.
Mas voltando a pensar no Sistema Estadual de Cultura (SEC), temos
que entender que este sistema seria uma forma de integrar o entes
da união, governos federais, estaduais e municipais e ainda
construir instrumentos de controle social para a real definição
e controle de políticas de estado e não apenas políticas
de governo para a cultura.
Assim, num primeiro momento, seria importante que os Estados brasileiros
realmente adotassem de forma constante e perene os instrumentos
que permitam a participação da sociedade civil organizada
neste processo, tal como, os CONSELHOS ESTADUAIS DE CULTURA, com
participação paritária e poder de fiscalização
e deliberação; bem como, realizasse de forma regular
as CONFERENCIAS ESTADUAIS DE CULTURA com o intuito e objetivo de
traçar os programas de ação de cada estado
e através destes mecanismos se construísse o PLANO
ESTADUAL DE CULTURA.
Além disso, cada estado deveria ainda buscar suas alternativas
para criar e constituir seus fundos de fomento e outros instrumentos
de estímulo e incentivo a cultura, tais como as leis de incentivo
hoje existentes, mas sempre adaptando suas regras e seu funcionamento
aos princípios dos Sistemas Estadual e Nacional de Cultura.
Parece simples
A construção de um CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA parece
uma ação aparentemente simples e fácil de ser
adotada, mas o mais importante é a fórmula como esta
pode e deve ser adotada.
Talvez para que cada estado conquiste um bom funcionamento e possibilite
realmente a participação da sociedade, seja fundamental
se criar algumas estruturas que pretendam proteger a participação
da sociedade por região e por segmento artístico e
cultural:
Por exemplo, no caso do estado do Paraná:
Um modelo adequado de Conselho de Cultura para este estado certamente
deveria contar com a criação de CAMARAS SETORIAIS
sendo uma para cada área: CIRCO, MUSICA, LITERATURA, TEATRO,
CINEMA, ARTES VISUAIS, DANÇA, CULTURA POPULAR, MEMORIA E
PATRIMONIO, CULTURA E CIDADANIA e GESTÂO CULTURAL.
Além da criação das Câmaras Setoriais
que comporiam o CONSELHO ESTADUAL, cada região do Estado
deveria garantir dentro desta fórmula a participação
de representantes de sua região, ou seja, observando os limites
geográficos deste estado, teríamos também o
CONSELHO DE CULTURA secções NORTE, SUL, SUDOESTE,
OESTE, NORTE VELHO, NOROESTE, CENTRAL, LITORAL e REGIÂO METROPOLITANA
DE CURITIBA.
Cada uma das regiões apresentadas nas seções
indicaria um representante para cada uma das 11 Câmaras Setoriais.Como
são 09 regiões, teríamos assim um total de
99 pessoas mais uma indicada pelo Governo do Estado para ser o seu
representante nos plenos e espaços de discussão e
reflexão, totalizando então 100 participantes.
Mas só o Conselho não basta
Mas além do Conselho Estadual de Cultura e a adoção
de fórmulas que garantam a participação e o
controle social, é importante neste processo que os futuros
governos estaduais busquem garantir algumas ações
e tarefas, tais como:
Manter um cadastro e um registro dos equipamentos culturais do Estado,
assim como dos artistas e produtores culturais. É o tal censo
cultural, ferramenta importante para o início de qualquer
trabalho.
Ainda dentro desta linha de raciocínio, é importante
que na construção das políticas públicas
de cultura, a cultura realmente valorize o aspecto da transversalidade
e passe realmente a atuar de forma integrada com as demais estruturas
do governo estadual, tais como as Secretarias de Educação,
Saúde, Turismo, Indústria e Comercio, Segurança,
etc.
Para isso, o Sistema Estadual de Cultura pode propor e deve garantir
a existência de um Gabinete Integrado da Cultura, onde os
representantes da Cultura irão atuar em parceria com outros
representantes aparentemente de outras áreas.
Ou seja, um GIC (Gabinete Integrado da Cultura) deverá estar
propondo ações da área cultura em conjunto
com ações previstas das secretarias de educação,
saúde, comunicação, turismo, esporte, etc,
e mais do que meros propositores, os integrantes do Gabinete deverão
estar estimulando a ação dos produtores culturais
de forma conjunta com os programas e ações destes
outros segmentos, haja visto que para grande maioria das pessoas
e da sociedade cultura é um “negócio”
dissociado e separado de todo o restante da sociedade, o que é
um tremendo equivoco. Não dá para discutir educação
sem discutir cultura. Não podemos pensar comunicação
sem pensar cultura. Não dá para falar em turismo,
saúde, meio ambiente sem falarmos em questões culturais,
desta forma, a cultura teria realmente um resgate de sua importância
e teria condições de ocupar um pape significativo
na construção de ações e programas de
estado.
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